Os testemunhos da presença humana recolhidos na região de Silves e ao
longo do curso do Rio Arade, revelam a sua existência desde os tempos
Pré-Históricos. Os monumentos megalíticos como os menires do Monte Roma,
em Silves, e os menires da Vilarinha, manifestam actividade daquelas
comunidades agrícolas do período Neolítico da Região. A exploração de
minerais nas margens do rio Arade, parece ser uma realidade com as
sociedades da Idade do Bronze que construíram a Necrópole da
Alfarrobeira.
Numa colina voltada a Norte do Cerro da Rocha Branca, localizada a
dois Quilómetros a poente da actual cidade de Silves, existiram as
ruínas de uma importante feitoria do primeiro milénio antes de Cristo.
Aquele povoado terá sido muito provavelmente a chamada Cilpes, que
manteve relações comerciais com povos de remotas regiões do Mediterrâneo
oriental, como os fenícios, gregos, cartagineses.
Os vestígios da conquista romana fazem-se sentir no actual núcleo
urbano da cidade de Silves. Provavelmente terão sido edificadas naquele
remoto período, as primeiras muralhas de defesa de um núcleo urbano. A
ocupação muçulmana do actual território algarvio e a prolongada
permanência dos povos árabes e sua preponderância cultural mantiveram-se
desde os séculos VIII a XIII, e marcaram profundamente a história e o
urbanismo da cidade.
A região foi primitivamente povoada por árabes do Mediterrâneo
Oriental, amantes das artes e das ciências, permitindo o desenvolvimento
deste importante pólo cultural e político do al-Gharb al-Andaluz, nos
séculos IX a XII. Ficou na memória dos seus habitantes, a Medina Xelb
conhecida, como a cidade de filósofos e poetas, Ibn Caci, Ibn Ammar ou o
rei Al-Mutamide.
A primeira conquista cristã acontece em 1189. As tropas portuguesas
governadas por D. Sancho I foram assistidas por um contingente de
Cruzados em trânsito para a Terra Santa, que aportara acidentalmente em
Lisboa. A efémera sujeição durou apenas dois anos, Al-Mansur dota a
cidade com fortes muros e infra-estruturas de aprovisionamento de água. A
derradeira conquista cristã acontece em meados do séc. XIII. D. Afonso
III, apressa-se a nomear um bispo para esta sede episcopal, e logo a
cidade se tornou capital de todo o Algarve. No séc. XV o infante D.
Henrique concentra-se nesta urbe, e impulsiona activamente a
participação das suas gentes nas viagens marítimas dos descobrimentos
portugueses.
Com o século XVI surgem os primeiros sinais de declínio. O
assoreamento do rio, principal via de comunicação com o exterior, a
formação de áreas lodosas tornara a cidade insalubre. O prelado
transladou-se para Faro
em 1577, sob forte contestação popular, e esta transferência, foi
seguida pelos influentes homens de negócios que animavam a vida
económica da cidade. O Terramoto de 1755 foi o coroar das enfermidades
que a urbe padecia, deixando pouco mais de uma dezena de casas
habitáveis.
A centúria seguinte foi marcada pelas invasões francesas, a fuga da
corte portuguesa para ao Brasil e as convulsões sociais que lavraram um
pouco por todo o país. Em Silves, as guerras entre liberais e
absolutistas, tiveram na região importante figura local, o guerrilheiro
absolutista Remexido. A segunda metade deste século importou para esta
cidade interior do Algarve a indústria corticeira, assim como, todo o
comércio e pequenas unidades fabris dependentes daquela manufactura. A
região é igualmente premiada com o investimento estatal da expansão do
caminho-de-ferro, que chega aos arredores da cidade nos inícios do
século XX.
Importante centro operário e industrial, prosperando em população e
novas edificações, desenvolve-se política e culturalmente para as causas
republicanas e sindicalistas que ainda hoje se reconhecem na toponímia
das suas ruas. O Estado Novo põe termo ao ciclo industrial da cortiça. A
decadência da agricultura assente na produção de frutos secos é
substituída por uma prática agrícola apoiada no regadio e na produção de
citrinos. Esta última consentida com a construção da Barragem do Arade e de importantes infra-estruturas de irrigação que elevam este concelho ao mais importante centro produtor nacional de laranja.
A indústria turística e as potencialidades que a bacia do Rio Arade
proporciona, conjuntamente com o riquíssimo património histórico que o
concelho de Silves conserva serão por certo mais uma vertente económica a
ser desenvolvida e explorada.
AI
quarta-feira, 11 de julho de 2018
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